Tuesday, February 07, 2006

O Brilho de Bill Murray

Da Veja

Programado para o início de janeiro, foi finalmente realizada semana passadan no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a cerimônia de divulgação do Tony de Ouro de 2005. O atraso de deveu a uma liminar pedida pelo advogado de Steven Spielberg no Brasil. Após um período de muita discussão, o próprio diretor retirou a liminar ao saber que o criador do Tony de Ouro havia elogiado sua última obra, Munique. Diz-se que, ao saber do fato, o criador de Tubarão chorou.

Fato é que a cerimônia transcorreu ao largo das brigas jurídicas. Estavam lá várias personalidades do cinema e alguns ganhadores de prêmios passados - PT Anderson, Lukas Moodysson e Sofia Coppola. Bill Murray foi o convidado de honra, o que foi visto, com razão, como um prenúncio do que estava por vir. Na entrada um pequeno grupo, liderado pelo cineasta (sic) Claudio Assis, protestava aos gritos de "marmelada" e "vendido". Ao chegar, Tony sorriu e ofereceu um cachorro-quente a eles. Uma menina aceitou e pediu também uma Coca-Cola. Ganhou uma Pepsi Twist.

O apresentador John Cleese entrou no palco com seu tradicional Silly Walk e depois desfilou uma série de piadas do genuíno humor britânico, que não foram entendidas por todos. Os que não riram foram retirados da festa e substituídos por sósias de Steven Spileberg. O inusitado incidente foi explicado como mais uma pitada de humor britânico. Tony Azevedo, criador e único votante do prêmio, apareceu então de bermudas e tenis com meia para anunciar os vencedores. Este ano a novidade seria o Tony de Ouro para o melhor livro do ano.

As apostas para o Tony de Ouro de 2005 recaíam sobre Steve Zissou e Old Boy, e acabou sendo o primeiro o ganhador. Bill Murray subiu ao palco pela segunda vez (antes subira para receber o prêmio por Encontros e Desencontros) representando Wes Anderson e agradeceu dizendo ser uma honra receber um prêmio de verdade pela segunda vez e que se sentia parte importante desse prêmio após a declaração de Tony de que "sem ele, o filme não seria metade do que é".

Em seguida foi a vez do prêmio de melhor livro. Tony disse que o vencedor era um dos grandes autores descobertos por ele nos últimos anos e que se sentia feliz por dar o primeiro prêmio de literatura a ele. Dito isto, saiu do palco e deu lugar a Ian McEwan, autor inglês que recebeu o prêmio por Reparação. O autor estava radiante e disse que este era o único prêmio recebido por ele por esse livro, o que o tornava ainda mais especial. Tony ressaltou que é raro dar prêmio a um livro ou filme que passa a figurar em seu Top5.

Ao final mais uma surpresa - o tradicional arremesso de tomate a fotos do Spielberg que encerrou as premiações anteriores foi substituída pelo arremesso de ovos em bonecos do Peter Jackson, o que irritou alguns dos presentes mas não diminuiu o brilho da festa.

2 Comments:

Blogger Pedro Eboli said...

Foi na hora dos ovos que me retirei da festa, vaiando o anfitrião Tony junto com outros convidados. Afinal, Tony já havia declarado ter gostado de King Kong apesar de "ter cenas de ação demais" (Der Spiegel, 6 de janeiro, página 37).

Mas o John Cleese estava ótimo. Inclusive, quando estava flanando pelos bastidores, pediu-me algum papel menor na adaptação cinematográfica de "Save Cameron".

12:33 AM  
Blogger Werner Daumier-Smith said...

Ahahahaha, ele podia sero pai do Cameron. Aliás, já temos o Cameron?

8:40 AM  

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